
"Muito bem, depois de séculos mergulhada, no oceano raso e inútil da paixão. Porra eu escrevi isso? Enfim, esse blog está um drama sem fim, muito pior do que novela mexicana, ou melhor, se você observar que aqui ao menos não tem dublagem..."
- Porra, tu tá animada, geralmente eu é que sou assim não é?- Fábio comentou, me encarando com aquela cara de analista que eu detesto.
- É, né?- Cheguei perto do ouvido dele- Descobri um fornecedor de pó!!
Exagerei na cara de alucinada e mordi a língua para não rir da cara de espanto que ele fez.
- Sérioooo??
- Aham!
Ele sacudiu a cabeça desanimado como quem diz: "Essa não tem jeito!" e foi encher o saco de outro. Fiquei um pouco deprimida, porra, esse pessoal realmente não me conhece, caralho, esperava que ao menos não achassem, que eu sou um aspirador de pó descontrolado, mas não, eles se guiam e se enganam por essa maquiagem de puta e os palavrões que falo, poxa sou uma garota tímida e delicada que apenas se esconde atrás de um personagem, decididamente mereço um pouco mais de confiança. Fiquei uns vinte minutos pensando na falta de crédito que eu tinha com meus amigos, aí a música acabou, quando o Dj perguntou o que a pista queria ouvir, não tive dúvidas, subi no balcão e berrei:
- Toca de uma de zona!!
(Poxa, ninguém é de ferro, é?)
A boêmia
- Lie
- Ah, eu? Tonta por uma cidade pequena demais, em um pais pequeno demais, porém o mundo me dá medo.
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É isso garota, te deixo uma pista frágil e mentirosa se você desejar...
Estive dormindo, dormindo e sonhando com você, quando foi que eu acordei e continuei a fingir que dormia? Quando foi que deixei você ferrar com a minha cabeça? Quando?
É garota, culpa dessas músicas, esses filmes,essas malditas séries de merda, culpa sua, culpa minha... Quantas culpas me arrastam para você?
Acendo o cigarro de qualquer jeito, não penso em você, apenas deixei de pensar, deixei de respirar e talvez até mesmo de viver. Queria que você fosse um sorvete de brigadeiro (lembra dessa piada?) assim eu poderia te devorar, lamber os seus restos e te vomitar no primeiro vaso, seria simples me livrar de você, seria.
Você não é um sorvete, você é uma culpa. Uma conta a ser paga, um sexo a ser feito, uma vontade e não adianta dizer que é nula.
Acordo enfim, abro os olhos meio sem jeito, dói não te ver mais nos meus sonhos, dói te enchergar sem morrer um pouco, de qualquer jeito dói. Esse é o adeus, a beira da sua sepultura abandonada, ainda posso secar a última lágrima e dizer no seu ouvido morto:
- Adeus minha rainha!
Meio louco te falar isso agora, não vai me odiar, mas eu não gosto de você, sabe?? Seus olhinhos brilhantes me irritam, a sua voz de timbre perfeito me enerva e decididamente você trepa mal pra caralho...
Beijos e não me liga!!
P.S: Estava brigando com o vento!
E daqui pra frente, será assim meu amor, tudo que eu não falei é pra você, assim como todos os gestos de infantilidade desvairada são seus, os porres memoráveis, as noites insones e as de sexo desesperado com pessoas cujos nomes não me recordo, a meia garrafa de vinho barato, as poesias medíocres de dar dó, o medo brutal da solidão, os sapatos sujos de lama, tudo isso é seu, eu sei, meu legado de ruína e amor incondicional não chocam os teus olhos transparentes, pode renegar a sua herança, fazer de conta que nunca me conheceu, fazer de conta que a tua língua não cortou meus pulsos e não verteu meu sangue até a última gota.
É tudo seu, por que depois de você, já não sou capaz de sentir nada, você me desligou da realidade e tudo que consigo esboçar é um retrato infiel e tênue da minha existência devastada, depois de você eu já não sonho, já não procuro, nem sequer sofro, você me transformou em uma boneca orgânica despida de qualquer busca inútil de felicidade barata.
Aqui expresso meu agradecimento e entrego de bom grado, tudo o que restou de mim, faça bom proveito.
(Testamento de uma idiota que achava lindo morrer de amor)

"Chega de declarações paliativas e insignificantes, você sabe muito bem o que significou para mim, sabe da navalha que utilizei para separar você de um objetivo, sabe de tudo e isso só torna as coisas inúteis."
Penso nisso enquanto esmago a ponta de um cigarro no balcão, o garçom me olha torto, reclama sem vontade:"Isso vai deixar uma mancha". O encaro divertida, no fim tudo acaba se tratando de manchas não é verdade? Você, eu, o garçom, esse blog raso e a minha paixão constantemente devastadora e igualmente rasa.
Manchas, baby é disso que estou falando, seja em sofás, tapetes, paredes ou lençois de motel, elas existem para assegurar a existência tênue de qualquer situção concreta (ou não). Embora você também já saiba disso...
“- O que vai ser?
A garçonete loira e provavelmente gostosa crava os olhos em mim a espera de uma resposta coerente e prática, passo a língua nos lábios tento ganhar tempo, observo se minhas unhas estão bem feitas e disparo sem piedade:
- Todos os seus cabelos são dessa cor ou a moça só tem grana pra pintar os da cabeça?
Ela ri meio debochada:
- Assisti a porra desse filme e não vou te mostrar minha buceta!!
- Uma garota pode ter esperanças!!- concordo com um singelo sorriso- me dá qualquer coisa coberta de queijo e uma cerveja!
Antes de ir ela chega perto e sussurra no meu ouvido:
- Saio as onze...”
Aí eu pergunto, tem como não gostar de filmes brasileiros?
Obs: Filme amarelo manga.
Obs²: No último post esqueci de mencionar palhaços!!
Ex-detentos, garis, viciados, traficantes, flanelinhas, primos de 1° grau, caras que não tomavam banho, alcoólatras, pederastas, mendigos, esquizofrênicos, compulsivos sexuais, gays, travestis, evangélicos, judeus, sociopatas, mulçumanos, colegiais, aposentados, taxistas, peões e frentistas.
Ela não descartava nenhum, podia-se ouvir madrugada adentro gemidos insanos e gritos desesperados, tapas e insultos que aos olhos dela, podiam se transformar nas coisas mais excitantes do mundo. O cheiro de sêmen, suor e perfume barato invadiam minhas narinas como em um estupro, me fazendo repudiar ainda mais todos aqueles homens e suas ditas “necessidades” pútridas e seus desejos grotescos, me sentia presa em um circo dos horrores, observando de olhos fechados com asco a pressuposta mulher dos meus dias, metamorfoseando-se em um pesadelo noir de quinta categoria e baixo orçamento.
Obs: Qualquer semelhança com pessoas reais é “mera” coincidência.