A boêmia
- Lie
- Ah, eu? Tonta por uma cidade pequena demais, em um pais pequeno demais, porém o mundo me dá medo.
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Acordo preguiçosa, algo está diferente, saber isso não muda muita coisa, é um absurdo descobrir que um ano inteiramente novo bate na porta com cara de poucos amigos e você simplesmente não sabe o que fazer com ele.
Traço planos miraculosamente detalhados e ainda sim o controle escapa das minhas mãos, eu sinto saudades é assim tão ruim sentir saudades? Como uma fome que não consegue passar...
Tenho um alfabeto inteiro de planos para trazer você pra mim. E isso já faz o ano inteiro valer.
Acho um verdadeiro absurdo, pessoas ficarem fiscalizando o que escrevo para depois espalharem por aí o que ando sentindo, aproveito para dizer que não é da conta de ninguém, além da minha própria!! Que saco, embora pareça eu não sou mais criança, se ando desesperada ou ordinariamente deprimida a porra do problema é meu... É só isso mesmo, agora vamos ao post de hoje!!
- Quer conversar??
- Não...
- Comer pipoca?
- Não...
- Queimar calcinhas?
- Não...
- Beber?
- Não...
- Suicídio coletivo?
- Não...
- Assaltar um banco com um cabo de vassoura??
- Já é!!
Obs: Quanto mais falta nexo, menos vocês entendem!! ^^
"Caminhando por entre becos escuros e ausências imundas, é somente você que enxergo, seu olhar calmo me persegue, me fita através de janelas quebradas e azulejos rachados. A sua voz calma me persegue em um silêncio de morte, explicando adjetivos pavorosos e transitoriedades detalhadas.
É uma cidade vazia, com dezenas de ruas e centenas de casas, infinitas esquinas e numerosas lembranças opacas, você está em tudo, como um fantasma, feliz brincando de assombrar alguma criancinha no escuro, não, eu não sou mais uma criança no escuro, mas ainda me apavora a idéia de tatear na penumbra e não te encontrar (eu nunca te encontro).
Queria a cidade apenas para o meu deleite, seria um eterno memorial particular e você meu amor nunca iria partir, ou iria??
Eu sei essa droga de cidade continua com seus míseros: 165.896, porém desde que você se foi, ela é uma cidade fantasma!"
P.S: Gente o Alvaro, (da última postagem)é bissexual, certo??

É isso garota, te deixo uma pista frágil e mentirosa se você desejar...
Estive dormindo, dormindo e sonhando com você, quando foi que eu acordei e continuei a fingir que dormia? Quando foi que deixei você ferrar com a minha cabeça? Quando?
É garota, culpa dessas músicas, esses filmes,essas malditas séries de merda, culpa sua, culpa minha... Quantas culpas me arrastam para você?
Acendo o cigarro de qualquer jeito, não penso em você, apenas deixei de pensar, deixei de respirar e talvez até mesmo de viver. Queria que você fosse um sorvete de brigadeiro (lembra dessa piada?) assim eu poderia te devorar, lamber os seus restos e te vomitar no primeiro vaso, seria simples me livrar de você, seria.
Você não é um sorvete, você é uma culpa. Uma conta a ser paga, um sexo a ser feito, uma vontade e não adianta dizer que é nula.
Acordo enfim, abro os olhos meio sem jeito, dói não te ver mais nos meus sonhos, dói te enchergar sem morrer um pouco, de qualquer jeito dói. Esse é o adeus, a beira da sua sepultura abandonada, ainda posso secar a última lágrima e dizer no seu ouvido morto:
- Adeus minha rainha!

"Chega de declarações paliativas e insignificantes, você sabe muito bem o que significou para mim, sabe da navalha que utilizei para separar você de um objetivo, sabe de tudo e isso só torna as coisas inúteis."
Penso nisso enquanto esmago a ponta de um cigarro no balcão, o garçom me olha torto, reclama sem vontade:"Isso vai deixar uma mancha". O encaro divertida, no fim tudo acaba se tratando de manchas não é verdade? Você, eu, o garçom, esse blog raso e a minha paixão constantemente devastadora e igualmente rasa.
Manchas, baby é disso que estou falando, seja em sofás, tapetes, paredes ou lençois de motel, elas existem para assegurar a existência tênue de qualquer situção concreta (ou não). Embora você também já saiba disso...
Ex-detentos, garis, viciados, traficantes, flanelinhas, primos de 1° grau, caras que não tomavam banho, alcoólatras, pederastas, mendigos, esquizofrênicos, compulsivos sexuais, gays, travestis, evangélicos, judeus, sociopatas, mulçumanos, colegiais, aposentados, taxistas, peões e frentistas.
Ela não descartava nenhum, podia-se ouvir madrugada adentro gemidos insanos e gritos desesperados, tapas e insultos que aos olhos dela, podiam se transformar nas coisas mais excitantes do mundo. O cheiro de sêmen, suor e perfume barato invadiam minhas narinas como em um estupro, me fazendo repudiar ainda mais todos aqueles homens e suas ditas “necessidades” pútridas e seus desejos grotescos, me sentia presa em um circo dos horrores, observando de olhos fechados com asco a pressuposta mulher dos meus dias, metamorfoseando-se em um pesadelo noir de quinta categoria e baixo orçamento.
Obs: Qualquer semelhança com pessoas reais é “mera” coincidência.
Deveria te agradecer, você fudeu completamente com a minha cabeça...
E agora eu não sei o que fazer com esse amor todo.
A dor é meio mal humorada agora, nem sequer aceita um cigarro, copo de vodka então de jeito algum, deve ser dotada de escrupulos essa minha dor ranzinza e calada. Escreveria uma carta pra ela agora, diria coisas doces que a fariam sentir ainda mais pena da babaca aqui, faria uma tatuagem com o nome dela, gritaria mil vezes a frase clichê e estúpida dos amantes, beberia fel, me jogaria de um prédio em chamas, a minha dor ameaça sorrir, só não sei se é de mim ou para mim, mas acho que isso não importa, isso nunca importou.
Se ela estivesse aqui agora eu diria de maneira dramática: "O único refúgio serias tu!" ela daria aquele meio sorriso torto, que eu amo e diria que eu vivo muito bem sem ela, obrigada e isso só tornaria tudo ainda mais patético.
Minha boca tem um gosto amargo, os olhos pesam, me encolho em um canto qualquer dessa casa enorme e ainda mais vazia desde que ela se foi, acendo um cigarro totalmente desajeitada, minhas mãos tremem tanto que não consigo segurar o maldito hollywood que cai, a dor me comprime, sinto uma angústia tão concreta no peito que parece que vou desistir de respirar a qualquer momento.
A minha dor, fantástica em momentos criticos como esse, apenas me encara com um misto de pena e crueldade, não acaricia meus cabelos como julguei que faria, nem me oferece colo, não faz nada, assiste parada a minha ruína, assiste impássivel a minha destruição quase completa, até que resolve falar:
- Sabe qual é o teu maldito problema Natalie?
Nego com a cebeça, olhar desvairado, perdida pra caralho em qualquer lugar.
- Tu quer uma coisa que não existe!
A observo sem interesse e digo ainda mais desinteressada:
- Vai te foder!
Isso aqui virou um diário mesmo, né?
Hoje fui no senzala pra "comemorar" o fato de Luécya ter defendido a mono dela, digo comemorar por que meu animo estava situado no pé, é tão estranho o engraçado é que tento de todas as formas e maneiras possíveis não pensar nela, coisa que não adianta de porra nenhuma e só pra piorar as coisas lembrei daquele maldito texto do joão paulo Cuenca em que ele diz: "Perder você faz de mim um agnóstico amargo; mais errante e mais bêbado do que sempre" Foi só pensar nisso que minha auto-conformidade foi pra casa do caralho, e Legião tocando ao fundo não ajudou muito, é como se eu estivesse fazendo as coisas no automático, consigo realizar as ações sem contudo estar presente nelas, algo como um fantasma que apesar de possuir corpo não sabe ao certo como fazer-se dono dele.
O meu ódio por mim aumenta até o limite do suportavel, é duro ter que me olhar no espelho e ver a culpa marcando meus olhos, ver meus lábios apertados em desaprovação, sentir os soluços trancados na garganta e lágrimas salgadas tapando a visão, sentir tudo isso por conta de um dos meus malditos porres e minha mania ridicula de sempre acabar com tudo, é não passo agora de um agnóstico sem chances de voltar a vida...
