A boêmia
- Lie
- Ah, eu? Tonta por uma cidade pequena demais, em um pais pequeno demais, porém o mundo me dá medo.
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Meu delírio de 1,80 m e riso fácil, chove aos cântaros lá fora e eu penso em você, peço que você venha de manhã e dure hoje, é o primeiro pensamento da manhã e também o último que me acorre á noite; vinte e quatro horas de felicidade instantânea, alegria entregue pelo sedex a domicilio, simples como abrir uma caixa e me deparar com você, sem precisar explicar nada, sem criar teorias desconexas, apenas dar vazão a minha paixão politicamente incorreta...
Tenho que te dizer uma coisa, não é nada bacana você aparecer de madrugada comer toda a minha nutella e chutar meu cachorro, depois me acorda com seus discursos niilistas de fim de feira e me arrasta pra qualquer sarjeta, essa rotina cansa, na verdade tô sem saco, isso meu amor, prestes a mudar de continente para poder fumar meus cigarros em paz.
Lembra da última sexta? Você vomitou no meu tapete persa (vá lá, falsificado, mas ainda sim meu!) fez um furo no meu lençol predileto e declamou Camões a plenos pulmões madrugada adentro...
Não é reclamação, juro que não, na verdade é mais pra uma declaração do quão puta você me deixa e do quanto que eu amo você... E o quanto isso é desnecessário visto que você não vai ler.
P.S: A Nutella sempre vai esperar por você!
Sim, eu te cubro com histórias que jamais existiram, te chamo de nomes que você nunca ouviu, milhões de beijos sem lábios, milhões de abraços sem braços. Acho que te devo desculpas, é acho que devo te pedir desculpas, por te inventar tão completamente e esquecer que você não é um dos personagens dos meus livros e séries, por esquecer que nosso amor eterno, só é eterno na minha cabeça criativa e boba.
E eu corro no escuro segurando a tua mão, esquecendo que na verdade estou sempre correndo sozinha, não, isso não é triste é apenas um fato, contra os fatos existem argumentos? As pessoas me cansam, porque você não me cansa também? E porque não me concede a dádiva de criar vida? Eu seria mais dedicada do que Pigmalião e você sabe que é verdade!
Acordo preguiçosa, algo está diferente, saber isso não muda muita coisa, é um absurdo descobrir que um ano inteiramente novo bate na porta com cara de poucos amigos e você simplesmente não sabe o que fazer com ele.
Traço planos miraculosamente detalhados e ainda sim o controle escapa das minhas mãos, eu sinto saudades é assim tão ruim sentir saudades? Como uma fome que não consegue passar...
Tenho um alfabeto inteiro de planos para trazer você pra mim. E isso já faz o ano inteiro valer.
Vai parecer papo de fim ano, talvez seja, mas preciso crescer, não posso mais me dar ao luxo de criar reinos e fábulas a cada mês, não posso mais viver dentro da minha cabeça e não enfrentar meus medos. Não posso sufocar todos os meus sentimentos absurdos com piadas geniais de última hora, não posso inventar rotas de fuga de todos os meus problemas, não preciso disso, ninguém precisa na verdade.
Não consigo conversar com pessoa alguma, falar besteira não é conversar, estou chocada que com 23 anos eu não consiga isso. Por isso preciso desse tempo, preciso colocar as coisas no lugar, preciso saber quem diabos eu sou de uma vez por todas... É a unica coisa que me interessa.
Véspera de Natal, encaro o celular de cinco em cinco minutos, chego a quase discar o número, desisto nos últimos segundos, talvez o natal consiga me deprimir ou talvez eu só esteja com saudades de ouvir a sua voz, talvez eu ponha Vanguart pra tocar ou talvez eu simplesmente durma, mas se isso acontecer vou acabar sonhando com você...
"The horses are coming
So you better run"
Florence And The Machine-Dog Days Are Over.
Não há escapatória, caminhos de salvação ou atalhos confiáveis, existe o vazio; esse barulho silencioso que o vento faz, quando quer que meu medo abrace tudo, isso me assusta, então corto essa linha fina devagar, me aventuro a espiar cavalos do apocalipse, um dia vou montar em um deles, não vou precisar me esconder debaixo da cama ou correr descalça por cima de cacos de vidro. Vou fugir e você vai me ver cortando o céu, deixando um rastro de poeira e pedaços incontestáveis de mim, quando você ouvir os cavalos chegando vai lembrar de tudo, com uma nitidez esmagadora e talvez corra, não por amor, mas porque é a unica coisa que vai restar para você.

- Vou dar um tempo no Blog! - resmunguei de qualquer jeito.
- Porque?? - Lúcia, amarra o cabelo com uma piranha quebrada e sorri.
- Não tenho droga nenhuma para contar e nem quero mais beber, sem contar que estou de saco cheio das pessoas, vou acabar matando alguém!
- Ah, sei como é, quando me canso de todo mundo, faço o seguinte; faço de conta que é a última vez que estou vendo a pessoa, é perfeito!!
- Já sei, imaginando que seria a última vez, que você vê essa pessoa, acaba pensando na falta que ela ia fazer, né? E aí a trata com carinho!!
- Claro que não!! Fico tão feliz por ser a última vez que a vejo, que consigo tratá-la bem, funciona direitinho!!
- ...
- Ai, cansei!- Luísa entregou, apagando o cigarro na sola da bota.
- Cansou de quê?- Diogo pergunta mais por educação que por curiosidade.
- Ahhh, de tudo, né? Diogooo - responde em um misto de preguiça e infantilidade, que mesmo sabendo ser ridículo ela adorava repetir.
- Pode ser mais específica?- a paciência dele se extinguindo rapidamente, como de praxe.
- Claro, meu amor!- ela se empolga, levanta do meio fio e limpa a maquiagem borrada- Cansei de trepar com deus e o mundo, de beber, de fumar maconha até não sentir mais o maxilar, de pessoas vazias, de freqüentar o mesmo bar, de cheirar pó e ficar com o nariz sangrando, de perder minhas calcinhas por aí, de tropeçar em escadas, de achar grande coisa passar 48 horas bêbada, de aturar os seguranças dando em cima de mim... Cansei!!
Diogo a encara um pouco chocada:
- Posso ficar com teus cigarros?
Luísa joga pra ele um maço de Marlboro.
- Vai fazer o que agora??
Ela pensar por uns segundos e responde com um sorriso:
- Crescer!
Porco-Aranha!!
Porco-Aranha!!
Poco Porco
e Mais Aranha
Vai Tecendo
a Sua Teia...
♥
ASHHUASUHSAHUSAHHASHAUSUHSAHUSAHUUHASHUASHHUASHASHU
P.S:Banalidades!!
"Caminhando por entre becos escuros e ausências imundas, é somente você que enxergo, seu olhar calmo me persegue, me fita através de janelas quebradas e azulejos rachados. A sua voz calma me persegue em um silêncio de morte, explicando adjetivos pavorosos e transitoriedades detalhadas.
É uma cidade vazia, com dezenas de ruas e centenas de casas, infinitas esquinas e numerosas lembranças opacas, você está em tudo, como um fantasma, feliz brincando de assombrar alguma criancinha no escuro, não, eu não sou mais uma criança no escuro, mas ainda me apavora a idéia de tatear na penumbra e não te encontrar (eu nunca te encontro).
Queria a cidade apenas para o meu deleite, seria um eterno memorial particular e você meu amor nunca iria partir, ou iria??
Eu sei essa droga de cidade continua com seus míseros: 165.896, porém desde que você se foi, ela é uma cidade fantasma!"
P.S: Gente o Alvaro, (da última postagem)é bissexual, certo??

Depois de mais um fim de semana estranho e mais uma briga épica com o Al, a campanhinha toca na segunda como um castigo, não preciso de esforço pra saber que é o Alváro com a porra do rabinho entre as pernas e com um pedido de desculpas na garganta, abro a porta já acostumada com a cena que estava por vir.
Ele estava parado, mãos nos bolsos, intacto e lindo como sempre, as vezes esqueço como o Al é constrangedoramente bonito.
- Desculpa ter queimado suas calcinhas e envenenado o gato- ele começou limpando a garganta- ele não morreu, né??
- Era veneno de rato, Al! Ele nem sequer comeu!
- Ah... Posso entrar?
- Você mora aqui, né??
Ficou parado na porta, com cara de maior abandonado, toquei seu ombro de leve.
- Quer café?
Ele finalmente entrou e foi logo gritando:
- Cadê minha coleção de G Magazine ? (Revista gay masculina)
- Queimei, e também queimei aquela tua agenda de contatos...
Nos encaramos e explodiamos em uma gargalhada.
- Porra, Natalie quando a gente brigar apenas me mande dormir no sofá, tá?? Algum dia a gente vai ser preso por incediar o apartamento!!
- Ok- concordei ainda rindo - Chega de piromania!!
- Podemos voltar a nos amar pra sempre??- ele tirou uma mecha de cabelo do meu rosto e deu o seu melhor sorriso.
O encarei sonhadoramente e disse apenas:
- Sempre! Mas me empresta uma cueca, você queimou TODAS as minhas calcinhas, sabe?
- Ei, no último fim de semana, você queimou TODAS as minhas cuecas!!
- Claro, você tava se agarrando com aquelazinha do Paulo, mantenha o nível, né??
- O nivel?? Olha...
Beijei o Al e decidi esquecer esse lance de cuecas e calcinhas por um tempo.

Saí da igreja, a felicidade de ver a rua depois de 2 horas interruptas de conversa mole me deixava satisfeita a ponto de sorrir sozinha, disse sozinha? Lúcia se apoiava no meu braço esquerdo, caindo de bêbada como sempre.
-Pensando bem- disse ela meio arrastado- Não quero mais ser freira... Padres são estranhos e juro que o coroinha piscou pra mim!!
Não pude deixar de rir, Lúcia estava com a idéia fixa de fazer algo decente pra variar, tanto que depois de umas tequilas me arrastou para a primeira igreja que viu.
Mas acho que o padre e o seu sermão sobre o camelo, que poderia entrar no buraco da agulha, decepcionou um pouquinho a Lu. Graças a Deus!!
Lúcia soltou meu braço, coisa que detesto,sempre me sinto meio sem direção quando ela faz isso, não pude deixar de imaginar mais uma vez (talvez a enéssima da noite) onde diabos ela tinha estado durante aqueles meses todos, sentia vontade de abraçá-la e pedir baixinho que ela nunca mais sequer fosse ao banheiro sem mim.
- Onde você esteve?- perguntei simplesmente enquanto acendia um cigarro, ela o pegou da minha mão, tragou profundamente olhando um gatinho de rua e sorrindo meio idiota.
- Você não me queria aqui, Natalie... - ela cantarolou rodopiando.
Entrou em um bar qualquer, só voltou a falar quando a cerveja estava na metade:
- Natalie, me diz o que diabos eu ia fazer aqui? Você estava aí toda apaixonadinha por aquela garota e surtou como uma adolescente patética quando ela te chutou, não sou obrigada a tolerar certas coisas. – Ela falava sem olhar pra mim, fitava o cigarro com ternura, a voz era fina, não sabia se ela estava prestes a rir ou chorar.
- Então a culpa foi minha?- considerei, sem contudo acreditar em um absurdo desgraçado daquele.
Lúcia enfim me encarou:
- É você e eu, querida, sempre! O resto é desnecessário, mas acho que você já entendeu, por isso voltei, porque acredito que você já não possui coração algum e isso faz de nós duas uma só!
Uma lágrima fina escapou dos seus olhos negros e eu não pude deixar de concordar quando vi o reflexo da nossa mesa no espelho: Eu sozinha, diante de dois copos, enquanto o resto do bar mergulhado em fumaças ilícitas jazia em barulho de morte.
Sussurrei ao seu ouvido quando a beijei:
-Uma só...
Ex-detentos, garis, viciados, traficantes, flanelinhas, primos de 1° grau, caras que não tomavam banho, alcoólatras, pederastas, mendigos, esquizofrênicos, compulsivos sexuais, gays, travestis, evangélicos, judeus, sociopatas, mulçumanos, colegiais, aposentados, taxistas, peões e frentistas.
Ela não descartava nenhum, podia-se ouvir madrugada adentro gemidos insanos e gritos desesperados, tapas e insultos que aos olhos dela, podiam se transformar nas coisas mais excitantes do mundo. O cheiro de sêmen, suor e perfume barato invadiam minhas narinas como em um estupro, me fazendo repudiar ainda mais todos aqueles homens e suas ditas “necessidades” pútridas e seus desejos grotescos, me sentia presa em um circo dos horrores, observando de olhos fechados com asco a pressuposta mulher dos meus dias, metamorfoseando-se em um pesadelo noir de quinta categoria e baixo orçamento.
Obs: Qualquer semelhança com pessoas reais é “mera” coincidência.
Isso é entediante! Sabe essa coisa de “amor da minha” ,“não vivo sem você” e o pior: “eu te amo”. As pessoas parecem tão certas quando dizem isso (a quem quer que seja) passei séculos acreditando piamente na pureza desses termos mentirosos e pérfidos, séculos alegando o desespero passional de não poder ou saber viver sem determinada pessoa, séculos jurando mentiras em nome de paixões débeis, séculos trepando e acreditando que estava fazendo “amor”.
Senhoras e senhores, agora eu pergunto: Qual é a razão dessa merda toda? Os supostos apaixonados amam puramente em função própria, para enaltecer a ação simplória de viver em função de um ser (quanto pior o ser, maior a paixão e por sua vez maior o egoísmo do suposto apaixonado)
Exemplo clássico é aquela nossa amiga que acaba de descobrir (como se ela já não soubesse) que o homem da vida dela (outro termo detestável) é um cretino, qual é o discurso dela? “Eu fiz TUDO, por ele!”. Minha filha por algum acaso ele pediu o seu sacrifício absoluto? No máximo te fez uma dúzia de promessas ridículas, e você minha querida acreditou única e exclusivamente por que, quis mostrar para todos inclusive você mesma que sim, conseguiu o grande amor da sua vida como pregam aqueles contos estúpidos que lêem (para nossa desgraça) quando somos crianças.
O que existe então? Sexo, costume, egoísmo, tédio, autopromoção...
Como diria o Nietzsche: “Amor é a expressão mais natural do egoísmo.”
Não existem maneiras seguras de ser completamente feliz, existem? É tudo focado em algum motivo, algum combustível que te faça perder tempo e energia com algo totalmente sem sentido, como levantar da cama todas as manhãs e achar isso completamente plausível.
Por que se preocupar tanto com essa coisinha chamada felicidade, quando na verdade ela é que ferra completamente com a nossa vida? Meus dias tem sido uma sucessão besta de horas vazias por que eu quero, por que as horas vazias são completamente seguras, te impedem de cair em qualquer história mentirosa, que vai te destruir quando na última frase aparecer a palavra FIM.
Então funciona de um jeito tão simples que chega a dar dó, assisto minhas aulas da UFMA com cara de quem tá amando, almoço como se estivesse de fato sentindo o gosto da comida, assino minha presença no projeto de extensão, como se eu soubesse exatamente o que fazer, sorrio de piadas bestas e ouço Vanguart encolhida em um canto escuro qualquer. Essa é a minha sucessão de horas seguras, quase que uma rota de fuga, mas quem não está fugindo, não é?
É simples não é? Você ama, mesmo sabendo isso vai em algum momento fuder contigo, mas fuder tão completamente, que quando acabar você não vai conseguir andar e nem articular alguma palavra de consolo, talvez um pensamento débil, mas isso é apenas um talvez. Então é isso? Você se isenta da responsabilidade, fazendo de conta que o amor é um caminhão desgovernado que cruelmente te atropelou e fudeu com a sua cabeça? Pode falar isso também, não vai fazer diferença, nunca faz diferença de porra nenhuma, sabe por que? Não, você não sabe...
Certo, eu estava (ainda) meio bêbada, meio desesperada,meio carente mesmo...
Tá, as vezes eu consigo ser uma porre, foi mais ou mesnos assim:
- #$&*%$# ??- (sem nomes, ok?)
- hummm?
- Eu... te amo.
- Tá, certo...
Romantico né? Mas olha pra minha cara; estou rindo!

