Horizonte errado

É aqui, pinto meus pesadelos, derreto mesmo diante de pedras de gelo, aqui eu me encontro de um jeito que não é real, mas aqui também me perco...

- Ai, cansei!- Luísa entregou, apagando o cigarro na sola da bota.
- Cansou de quê?- Diogo pergunta mais por educação que por curiosidade.
- Ahhh, de tudo, né? Diogooo - responde em um misto de preguiça e infantilidade, que mesmo sabendo ser ridículo ela adorava repetir.
- Pode ser mais específica?- a paciência dele se extinguindo rapidamente, como de praxe.

- Claro, meu amor!- ela se empolga, levanta do meio fio e limpa a maquiagem borrada- Cansei de trepar com deus e o mundo, de beber, de fumar maconha até não sentir mais o maxilar, de pessoas vazias, de freqüentar o mesmo bar, de cheirar pó e ficar com o nariz sangrando, de perder minhas calcinhas por aí, de tropeçar em escadas, de achar grande coisa passar 48 horas bêbada, de aturar os seguranças dando em cima de mim... Cansei!!

Diogo a encara um pouco chocada:
- Posso ficar com teus cigarros?
Luísa joga pra ele um maço de Marlboro.
- Vai fazer o que agora??
Ela pensar por uns segundos e responde com um sorriso:
- Crescer!

Porco-Aranha!!
Porco-Aranha!!
Poco Porco
e Mais Aranha
Vai Tecendo
a Sua Teia...


ASHHUASUHSAHUSAHHASHAUSUHSAHUSAHUUHASHUASHHUASHASHU

P.S:Banalidades!!

Acho um verdadeiro absurdo, pessoas ficarem fiscalizando o que escrevo para depois espalharem por aí o que ando sentindo, aproveito para dizer que não é da conta de ninguém, além da minha própria!! Que saco, embora pareça eu não sou mais criança, se ando desesperada ou ordinariamente deprimida a porra do problema é meu... É só isso mesmo, agora vamos ao post de hoje!!


- Quer conversar??
- Não...
- Comer pipoca?
- Não...
- Queimar calcinhas?
- Não...
- Beber?
- Não...
- Suicídio coletivo?
- Não...
- Assaltar um banco com um cabo de vassoura??
- Já é!!

Obs: Quanto mais falta nexo, menos vocês entendem!! ^^



- Meus cigarros acabaram - comentei casualmente enquanto levantava em busca das minhas roupas. Álvaro resmungou debilmente e aumentou o som, heart in a cage (the strokes) tomou conta do quarto e eu desejei desesperadamente não um cigarro, mas um motivo bom o bastante para continuar viva pelo resto do dia.

Respira Lie, pensei em desespero,porra não vai chorar agora, agora não, ninguém precisa saber que você ainda sabe chorar muito menos o Al... Caralho

Aquela coisa molhada saindo dos seus olhos, um soluço fodido e irritante preso na merda da sua garganta, é mais ou menos assim que eu levanto, lutando para não me jogar da sacada e nem colocar veneno na comida de alguém, é tudo assim tão horrível?? Sim é. Corri pra cozinha enquanto uma lágrima fina descia indiferente no meu rosto. Álvaro vindo sabe-se lá da onde me ofereceu um lenço.
- Nunca vou saber o que é pior!!- ele confessou me oferecendo um cigarro.
- Nem eu...


Post interno.

"Caminhando por entre becos escuros e ausências imundas, é somente você que enxergo, seu olhar calmo me persegue, me fita através de janelas quebradas e azulejos rachados. A sua voz calma me persegue em um silêncio de morte, explicando adjetivos pavorosos e transitoriedades detalhadas.
É uma cidade vazia, com dezenas de ruas e centenas de casas, infinitas esquinas e numerosas lembranças opacas, você está em tudo, como um fantasma, feliz brincando de assombrar alguma criancinha no escuro, não, eu não sou mais uma criança no escuro, mas ainda me apavora a idéia de tatear na penumbra e não te encontrar (eu nunca te encontro).
Queria a cidade apenas para o meu deleite, seria um eterno memorial particular e você meu amor nunca iria partir, ou iria??

Eu sei essa droga de cidade continua com seus míseros: 165.896, porém desde que você se foi, ela é uma cidade fantasma!"


P.S: Gente o Alvaro, (da última postagem)é bissexual, certo??




Depois de mais um fim de semana estranho e mais uma briga épica com o Al, a campanhinha toca na segunda como um castigo, não preciso de esforço pra saber que é o Alváro com a porra do rabinho entre as pernas e com um pedido de desculpas na garganta, abro a porta já acostumada com a cena que estava por vir.

Ele estava parado, mãos nos bolsos, intacto e lindo como sempre, as vezes esqueço como o Al é constrangedoramente bonito.
- Desculpa ter queimado suas calcinhas e envenenado o gato- ele começou limpando a garganta- ele não morreu, né??
- Era veneno de rato, Al! Ele nem sequer comeu!
- Ah... Posso entrar?
- Você mora aqui, né??

Ficou parado na porta, com cara de maior abandonado, toquei seu ombro de leve.

- Quer café?

Ele finalmente entrou e foi logo gritando:
- Cadê minha coleção de G Magazine ? (Revista gay masculina)

- Queimei, e também queimei aquela tua agenda de contatos...
Nos encaramos e explodiamos em uma gargalhada.
- Porra, Natalie quando a gente brigar apenas me mande dormir no sofá, tá?? Algum dia a gente vai ser preso por incediar o apartamento!!
- Ok- concordei ainda rindo - Chega de piromania!!
- Podemos voltar a nos amar pra sempre??- ele tirou uma mecha de cabelo do meu rosto e deu o seu melhor sorriso.
O encarei sonhadoramente e disse apenas:
- Sempre! Mas me empresta uma cueca, você queimou TODAS as minhas calcinhas, sabe?
- Ei, no último fim de semana, você queimou TODAS as minhas cuecas!!
- Claro, você tava se agarrando com aquelazinha do Paulo, mantenha o nível, né??
- O nivel?? Olha...

Beijei o Al e decidi esquecer esse lance de cuecas e calcinhas por um tempo.




Saí da igreja, a felicidade de ver a rua depois de 2 horas interruptas de conversa mole me deixava satisfeita a ponto de sorrir sozinha, disse sozinha? Lúcia se apoiava no meu braço esquerdo, caindo de bêbada como sempre.
-Pensando bem- disse ela meio arrastado- Não quero mais ser freira... Padres são estranhos e juro que o coroinha piscou pra mim!!
Não pude deixar de rir, Lúcia estava com a idéia fixa de fazer algo decente pra variar, tanto que depois de umas tequilas me arrastou para a primeira igreja que viu.
Mas acho que o padre e o seu sermão sobre o camelo, que poderia entrar no buraco da agulha, decepcionou um pouquinho a Lu. Graças a Deus!!
Lúcia soltou meu braço, coisa que detesto,sempre me sinto meio sem direção quando ela faz isso, não pude deixar de imaginar mais uma vez (talvez a enéssima da noite) onde diabos ela tinha estado durante aqueles meses todos, sentia vontade de abraçá-la e pedir baixinho que ela nunca mais sequer fosse ao banheiro sem mim.
- Onde você esteve?- perguntei simplesmente enquanto acendia um cigarro, ela o pegou da minha mão, tragou profundamente olhando um gatinho de rua e sorrindo meio idiota.
- Você não me queria aqui, Natalie... - ela cantarolou rodopiando.
Entrou em um bar qualquer, só voltou a falar quando a cerveja estava na metade:
- Natalie, me diz o que diabos eu ia fazer aqui? Você estava aí toda apaixonadinha por aquela garota e surtou como uma adolescente patética quando ela te chutou, não sou obrigada a tolerar certas coisas. – Ela falava sem olhar pra mim, fitava o cigarro com ternura, a voz era fina, não sabia se ela estava prestes a rir ou chorar.
- Então a culpa foi minha?- considerei, sem contudo acreditar em um absurdo desgraçado daquele.
Lúcia enfim me encarou:
- É você e eu, querida, sempre! O resto é desnecessário, mas acho que você já entendeu, por isso voltei, porque acredito que você já não possui coração algum e isso faz de nós duas uma só!
Uma lágrima fina escapou dos seus olhos negros e eu não pude deixar de concordar quando vi o reflexo da nossa mesa no espelho: Eu sozinha, diante de dois copos, enquanto o resto do bar mergulhado em fumaças ilícitas jazia em barulho de morte.
Sussurrei ao seu ouvido quando a beijei:
-Uma só...