Horizonte errado

É aqui, pinto meus pesadelos, derreto mesmo diante de pedras de gelo, aqui eu me encontro de um jeito que não é real, mas aqui também me perco...

Tudo de repente mudou, em duas semanas, eu não tinha onde morar, o que vestir, comer ou ler. As vezes acho realmente que tenho sorte, outras nem tanto assim...

Porra cara... Estou sem assunto, na verdade é muita coisa pra contar...

Um dia sem preguiça, prometo um post decente!




Não sei direito como medir em que termos te amei, nem sei ao certo se a palavra certa é amor, esse vazio cínico me doí, acredite doí mais em mim do que em você, é como acreditar que tantos suspiros e desesperos, não valeram de nada, não conseguiram te definir e nem sequer te explicar toda essa paixão que agora morre, me abandona e termina por me matar também.

Tá chovendo pra caralho lá fora meu amor, agora sempre chove mesmo estando sol a pino, me fazendo suar frio e em bicas, desfragmentar você em mim foi maior do que montar você, por que você necessitou de todo um projeto, você surgiu aos poucos e quando eu vi estava maior que a Torre de Babel e agora você desaparece assim de maneira definitiva, abrupta e por isso mesmo terrivelmente dolorosa. O castelo me prendeu, mas também me aninhou nas noites em que a insonia ferrava com tudo, como vou viver sem a impossibilidade de viver sem você? Isso me deixa estática, a sua presença e a sua ausência, dupla maldição que sempre ansiei, agora não existem mais distrações, agora é a vida real.


Meu delírio de 1,80 m e riso fácil, chove aos cântaros lá fora e eu penso em você, peço que você venha de manhã e dure hoje, é o primeiro pensamento da manhã e também o último que me acorre á noite; vinte e quatro horas de felicidade instantânea, alegria entregue pelo sedex a domicilio, simples como abrir uma caixa e me deparar com você, sem precisar explicar nada, sem criar teorias desconexas, apenas dar vazão a minha paixão politicamente incorreta...


Rasgar a minha garganta em gritos histéricos de desejo incontido, marcar diabolicamente a sua pele com a violência do encontro inevitável de nossos corpos!

Um dia e o resto da minha existência seria catatônica, revivendo e construindo o que deixou de acontecer, dance comigo, dentro de mim...

Todos foram embora, é mais ou menos isso que eu sinto sabe?? É um deserto meio fodido...

Porra, fico parecendo uma emo louca falando essas coisas, mas é a porra da verdade!




Fico achando que cabelos negros como o ébano e longos como as unhas do Zé do caixão, parecem cabelos de elfos ou de anjos, não consigo definir ao certo a sutil(?) diferença entre os dois, não importa muito, esses anjos/elfos apenas passam e por um segundo fazem do meu mundo medíocre um lugar habitável e que não me causa ânsia. Sobra essa vontade gritante de ser qualquer pessoa, um desejo urgente de não ter a garganta sempre apertada e lágrimas a espreita, vejo e me reconheço agora sem máscaras, uma pessoinha idiota cheia de opiniões pretensiosas e achismos ridículos, é meus queridos escrotos de merda, eu peço socorro mas não sei qual nome gritar, nem sequer sei se existe um nome a ser pronunciado... Talvez longe daqui, longe dessa necrópole fantasiosamente pornográfica repleta de ausências dissimuladas; e se eu embelezo tudo, não é por estilo, é por desespero meus caros, estou DESESPERADA e ter ciência disso não ajuda em caralho nenhum , apenas me torna mais perdida, inútil, ébria, infinitamente inadequada e cheia de elfos/anjos a me atormentar, como Erínias vingadoras empenhadas em um tormento besta de dar dó!



P.S: Escrito durante a aula de estudo dos usuários da informação.

Tenho que te dizer uma coisa, não é nada bacana você aparecer de madrugada comer toda a minha nutella e chutar meu cachorro, depois me acorda com seus discursos niilistas de fim de feira e me arrasta pra qualquer sarjeta, essa rotina cansa, na verdade tô sem saco, isso meu amor, prestes a mudar de continente para poder fumar meus cigarros em paz.
Lembra da última sexta? Você vomitou no meu tapete persa (vá lá, falsificado, mas ainda sim meu!) fez um furo no meu lençol predileto e declamou Camões a plenos pulmões madrugada adentro...
Não é reclamação, juro que não, na verdade é mais pra uma declaração do quão puta você me deixa e do quanto que eu amo você... E o quanto isso é desnecessário visto que você não vai ler.

P.S: A Nutella sempre vai esperar por você!




Tiro a blusa devagar, jogo em direção a janela, ele ri.
Trago o cigarro com vontade, rodopiando nua pelo quarto, ele aplaude entusiasmado, jogando a camisa no ventilador sujo de poeira, aquilo era tão e tão óbvio, mas ainda sim divertido, me livro da calça jeans com habilidade, jogando a calça pela janela e sorrindo como uma lunática...
- Tem certeza?- Alvaro torna-se de súbito sério, tira o cigarro de minhas mãos e observa a fumaça com um sorriso sinistro, tiro o soutien com apenas um gesto, digo de uma vez:
- Tenho! Vai dar uma ótima matéria nos jornais, não acha? vamos ficar famosos, vamos virar deuses!
Ele explode em uma gargalhada débil.
- Não, deuses não...
Subi na cama, rodopiando sempre, peguei a garrafa de vodka e gritei com toda a força que meu pulmão ainda possuia:
- Eu te amo!
Ele tirou a calça jeans, pulou na cama, me beijando com o desespero tipico de quem já não possui tanto tempo, o envolvi com meus braços, sentindo a paixão maluca que a gente sentia, as mãos dele acariciaram gentilmente meus seios, enquanto a sua boca percorria o meu pescoço, o afastei e o encarei com toda a intensidade que conseguia reunir em um olhar apenas, Alvaro beijou minha testa, me mostrou o isqueiro, entendi o recado, tirei o galão de gasolina debaixo da cama e despejei o conteúdo pelo quarto.
Alvaro me observava gargalhando.
- Algum cara não dizia que o amor é fogo que arde sem se ver? Ele com certeza, nunca imaginária um troço desses!
- Vamos ficar juntos pra sempre, tipo Romeu e julieta! Com a diferença de que eles nunca existiram!
Esvaziei o galão, como em uma dança e me joguei na cama, estendi os braços pra ele, sorri de maneira cruel.
- Vamos querido?
Ele acendeu um cigarro, tragando apenas uma vez e o jogando em uma cadeira que prontamente ardeu em chamas, pulou em cima de mim gritando:
- Vamos!!
Enquanto o quarto se transformava em um inferno, Alvaro segurava minha mão e baixinho declamava:

-Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;